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Alexandre Bally

Chimichurri

Picado à faca, assente em salmoura e selado com azeite: o molho gaúcho com a salmuera de Mallmann

·Argentina·Molho·Fácil
Chimichurri
Ilustração gerada por IA

Rendimento: 250 ml

Porção: ~40ml

Preparação: 15m

Cozinhar: 5m

Repouso: 2h

Total: 2h 20m

Tamanho do lote
Unidades
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Ingredientes

Salmuera (começar por aqui)

  • 100 ml água, acabada de ferver — da salmoura pronta usa-se cerca de 60ml
  • 4 g sal grosso, sal grosso comum; flor de sal é desperdício quando se dissolve

Base de ervas

  • 60 g salsa lisa, só folhas e talos finos, comprada no próprio dia, lavada e bem seca
  • 4 dentes de alho, descascado — medir ao dente, nunca a olho
  • 1 c. sopa de orégãos secos, folha inteira, gregos ou sicilianos, não o pó com ar de serradura
  • 1 malagueta vermelha, picada fina, ou 1 colher de chá de flocos de malagueta seca
  • 1 folha de louro fresca, o toque de Mallmann; retirar antes de servir(opcional)

Ácido e azeite

  • 60 ml vinagre de vinho tinto envelhecido, a espinha dorsal do molho; vale a pena uma boa garrafa de uma mercearia fina em Basileia
  • 120 ml azeite virgem extra, robusto e com sabor, não o azeite mais delicado de finalizar

Método

Salmuera (começar por aqui)

  1. 1

    Levar os 100 ml de água a ferver, tirar do lume e mexer os 4 g de sal grosso até desaparecerem por completo. Deixar arrefecer até à temperatura ambiente, cerca de 30 minutos.

    30mfora do lume

    A salmoura tem de estar completamente à temperatura ambiente antes de tocar nas ervas. Morna, coze e murcha a salsa fresca, apaga o verde e mata a frescura crua que se quer proteger. Também não arrefecer debaixo da torneira: diluir a salmoura dilui o tempero. Arrefecer é o passo que dita o ritmo, por isso vem primeiro.

    Salmuera: Assentar Ervas Frescas em Salmoura

    Dica: O teste de Mallmann: se o sal não dissolve por completo, é demasiado para a água. A salmoura fria deve ficar perfeitamente límpida, sem nada assente no fundo.

Mise en place

  1. 2

    Enquanto a salmoura arrefece, tirar as folhas e os talos finos dos 60 g de salsa e deitar fora os talos grossos. Secar bem as folhas. Descascar os 4 dentes de alho. Medir 60 ml de vinagre e 120 ml de azeite em recipientes separados. Ter à mão 1 c. sopa de orégãos secos, 1 malagueta vermelha picada fina e 1 folha de louro fresca.

    5m
    Picar Ervas à Faca para Molhos Crus

    Dica: Folhas molhadas escorregam e ficam pisadas debaixo da faca em vez de cortadas, e a água à superfície dilui o molho. Centrifugar ou secar bem com papel.

Picar à faca

  1. 3

    Com a faca mais afiada, picar juntos os 60 g de salsa e os 4 dentes de alho, em movimento de báscula, juntando o monte com a lâmina de poucas em poucas passagens e rodando a tábua um quarto de volta de cada vez. Parar enquanto os pedaços ainda se veem: pequenos o suficiente para cobrir uma garfada de carne, grandes o suficiente para se lerem como flocos. O alho deve ficar mesmo fino.

    6mfaca de chef afiadatábua grande

    Nada de picadora. As lâminas esmagam e rasgam em vez de cortar, rebentando células que libertam clorofila e compostos amargos, e a superfície maior oxida depressa. Numa hora fica um molho turvo, pastoso e ligeiramente amargo. Uma faca afiada corta limpo e mantém o molho solto e verde.

    Picar Ervas à Faca para Molhos Crus

    Dica: Nesta dose o alho deve perfumar o molho, não assaltá-lo. Acima de 120g de salsa, picar em várias vezes para que o fundo do monte seja cortado e não esmagado.

Macerar, depois o azeite

  1. 4

    Passar a salsa e o alho para uma taça de vidro ou cerâmica. Juntar 1 c. sopa de orégãos secos, a malagueta picada e, se usar, a folha de louro. Regar com os 60 ml de vinagre de vinho tinto e cerca de 60ml da salmuera fria e mexer. Deixar 5–10 minutos.

    10m

    É nesta janela de maceração que se faz o trabalho a sério. O sal e o ácido chegam às ervas húmidas antes de o azeite as selar: temperam-nas por dentro, arredondam o alho cru e fixam a cor, porque o ácido nas folhas acabadas de cortar trava a passagem da clorofila a feofitina castanho-azeitona. Usar uma taça não reativa; o alumínio dá ao ácido um travo metálico.

    Salmuera: Assentar Ervas Frescas em Salmoura

    Dica: Os orégãos secos são a escolha autêntica e aqui também a melhor: hidratam na salmoura e no vinagre e libertam os óleos para o líquido como os frescos não fazem. A proporção de 2:1 de azeite para vinagre é propositadamente viva para cortes gordos; com carne mais magra, guardar 15ml de vinagre e juntar a gosto no fim.

  2. 5

    Só agora deitar os 120 ml de azeite virgem extra, devagar, sempre a mexer. Provar e corrigir: mais um pouco de salmuera se faltar sal, mais vinagre se faltar nervo.

    1m

    O azeite entra sempre no fim. É hidrofóbico e reveste tudo o que toca; posto cedo, embrulha as ervas e impede o sal e o ácido, solúveis em água, de entrar. Não se está a fazer uma emulsão: o molho deve ficar solto, para servir à colher e ligeiramente separado, não cremoso.

    Salmuera: Assentar Ervas Frescas em Salmoura

Repousar e servir

  1. 6

    Tapar e deixar repousar pelo menos 2 horas à temperatura ambiente, ou melhor, de um dia para o outro no frigorífico. Se esteve no frigorífico, tirar 30–60 minutos antes de servir para o azeite soltar e os aromas acordarem. Mexer, provar de novo e retirar a folha de louro antes de servir.

    2h

    O repouso não é uma formalidade. Os argentinos dizem que hoje está bom e amanhã está melhor: de um dia para o outro o alho suaviza, os orégãos vêm à frente e o molho casa. Trinta minutos são o mínimo, não o objetivo.

    Dica: Guardar a salmuera que sobrar. Um pouco mexido num molho que já tem uns dias de frigorífico volta a temperá-lo e refresca-o.

Alergénios

sulfitos

Dieta

Veganosem glútensem lactose

Conservação e Validade

refrigerado

Temperatura: 0-4°C

Validade: 21 dias

Congelar: Sim

Nunca aquecer. Tirar do frigorífico 30–60 minutos antes de servir para o azeite amolecer, mexer, provar e acertar com um pouco de salmuera ou vinagre. Os cubos congelados descongelam de um dia para o outro no frigorífico ou em cerca de uma hora à temperatura ambiente.

Empratamento

Deitado à colher sobre a carne grelhada fatiada, à mesa, nunca envolvido nela, com o resto numa taça ao lado. Deve ficar solto e brilhante, com as ervas bem distintas e o azeite visivelmente separado.

Guarnição: Nenhuma — o molho é a guarnição

Servir em: Taça pequena de vidro ou cerâmica com colher

Temperatura: Temperatura ambiente

A História por Trás Deste Prato

“O molho cru de ervas do asado argentino e uruguaio, feito de salsa, orégãos secos, alho, vinagre e azeite, e tradicionalmente deitado à colher sobre carne de vaca grelhada, à mesa. A versão de partida já estava do lado certo em todas as decisões importantes: salsa lisa, picada à faca, azeite no fim, uma proporção viva de 2:1 para cortes gordos. O que faltava era a salmuera, a salmoura fria que está no centro do chimichurri de Francis Mallmann em Seven Fires. Pôr o sal como salmoura em vez de grãos secos faz quatro coisas de uma vez: tempera as ervas por dentro, suaviza o alho cru sem esperar 24 horas, solta a textura numa verdadeira infusão e impede que o verde fique cor de tropa de um dia para o outro. A folha de louro e a troca para orégãos secos vêm da mesma fonte. Nada disto moderniza o molho; aproxima-o do original gaúcho.”

Sugestão de vinho: Depende da carne. Com vaca ou porco grelhados, um Malbec de Mendoza tem fruta suficiente para aguentar o vinagre.

Aviso Legal: As informações fornecidas nesta receita, incluindo métodos de preparação, diretrizes de armazenamento e recomendações de validade, são apenas para orientação geral. Não aceitamos qualquer responsabilidade por doenças alimentares ou efeitos adversos resultantes da preparação, manuseamento, armazenamento ou consumo de alimentos preparados com esta receita. Siga sempre práticas seguras de manuseamento de alimentos e consulte as diretrizes oficiais de segurança alimentar.

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