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Alexandre Bally

Shrikhand de Açafrão com Ameixas Assadas e Pralinê de Pistácio

Iogurte escorrido num pano, adoçado a 20% do seu próprio peso, açafrão em infusão em leite morno, ameixas com casca de laranja e um pralinê de caramelo seco que só entra à mesa

·Indiana·Sobremesa·Intermédio
Shrikhand de Açafrão com Ameixas Assadas e Pralinê de Pistácio
Ilustração gerada por IA

Rendimento: 6 porções

Porção: ~80g de shrikhand, 2 metades de ameixa

Preparação: 45m

Cozinhar: 30m

Repouso: 12h

Total: 13h 15m

Tamanho do lote
Unidades
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Ingredientes

Iogurte escorrido (começar na noite anterior)

  • 700 g iogurte natural gordo, com culturas vivas, sem leite em pó, amido nem gelatina; dá cerca de 330-370g de coalhada

Shrikhand

  • 0,2 g estigmas de açafrão, uma pitada generosa, esmagada até pó grosso
  • 2 c. sopa de leite gordo, aquecido a cerca de 60°C, para o açafrão
  • 72 g açúcar em pó, 20% do peso real da coalhada; pesar a coalhada e recalcular, valor dado para 360g
  • 10 cardamomos verdes em vagem, só as sementes, moídas finas na hora
  • sumo de limão, só se o shrikhand pronto souber a pouco em vez de fresco e ácido, q.b.(opcional)

Ameixas assadas

  • 10 ameixas, maduras, cortadas ao meio e sem caroço, com pele
  • 40 g açúcar, 25-30g se forem muito doces, até 55g se forem ácidas
  • 2 c. sopa de água
  • 1 tira de casca de laranja, cerca de 5 cm x 1 cm, tirada com o descascador, sem a parte branca

Pralinê de pistácio

  • 100 g açúcar branco fino
  • 80 g pistácios descascados sem sal, à temperatura ambiente, não do frigorífico
  • uma pitada de flor de sal

Método

Escorrer o iogurte (8-12 horas antes)

  1. 1

    Forrar um passador com musselina dobrada ou um pano de cozinha fino e limpo e pô-lo sobre uma taça funda o suficiente para o passador ficar bem acima do soro. Deitar os 700 g de iogurte, dobrar o pano por cima sem apertar e levar ao frigorífico 8-12 horas. Não espremer nem torcer.

    12h0-4°Cpassadormusselina ou pano fino

    Não substituir por iogurte grego comprado. É centrifugado ou engrossado com leite em pó, e fica granuloso e farinhento quando se lhe bate açúcar. A coalhada escorrida por gravidade fica lustrosa. Torcer o pano para despachar empurra gordura e proteína fina para o soro e dá uma coalhada mais seca e menos rica.

    Iogurte Escorrido (Hung Curd)

    Dica: Guardar o soro. É ácido e tem alguma proteína, substitui parte do leite numa massa de naan ou vai para um lassi.

  2. 2

    Passar a coalhada para uma taça e pesá-la. Calcular o açúcar em pó a 20% desse peso: 72g para 360g de coalhada, 88g para 440g.

    O rendimento varia com o iogurte e com o tempo de escorrer, por isso uma quantidade fixa de açúcar estará errada. 850g de iogurte escorrido durante a noite deram uma vez 440g em vez dos 390g previstos; com 75g de açúcar seriam só 17%, e teria sabido a pouco. Vinte por cento mantêm-no claramente ácido, e é isso que lhe permite cortar uma refeição rica em vez de lhe juntar mais uma camada.

    Iogurte Escorrido (Hung Curd)

Shrikhand

  1. 3

    Esmagar os 0,2 g de açafrão até pó grosso entre os dedos ou com as costas de uma colher; uma pitada do açúcar em pó dá-lhe algo contra que moer. Aquecer as 2 c. sopa de leite a cerca de 60°C, quente ao dedo mas longe de ferver, deitar por cima, tapar e deixar 15 minutos.

    15m60°C

    Os estigmas esmagados libertam cerca do dobro dos inteiros. Leite a ferver expulsa o safranal, o aroma pelo qual se paga, e fica-se com cor sem perfume. A cor aparece em segundos; o aroma precisa dos quinze minutos todos. O açafrão verdadeiro tinge devagar de amarelo-alaranjado; estigmas que largam cor vermelha de imediato são tingidos.

    Infusão de Açafrão
  2. 4

    Enquanto o açafrão está em infusão, abrir as 10 vagens de cardamomos, tirar as sementes pretas e moê-las finas. Deitar fora as cascas.

    5m

    O cardamomo já moído perde a maior parte dos aromas voláteis em semanas. Esta sobremesa tem dois aromáticos e nenhum sítio onde um deles possa esconder-se cansado.

  3. 5

    Bater a coalhada com três quartos dos 72 g de açúcar em pó até ficar completamente lisa e lustrosa, cerca de 2 minutos. Provar e juntar o resto do açúcar se for preciso. Incorporar o leite de açafrão, com os estigmas, e o cardamomo moído.

    5m

    Só açúcar em pó. O açúcar granulado não se dissolve em coalhada fria e deixa-a arenosa. Juntar o açúcar por fases, porque se pode acrescentar mas não tirar. Só aligeirar com leite se a coalhada escorreu demais e está mesmo rija, uma colher de cada vez; uma coalhada mais mole não precisa de nada além do leite de açafrão.

    Dica: Com iogurte sem lactose, começar com cerca de 15% do peso da coalhada. A lactase já dividiu a lactose em glucose e galactose, ambas mais doces do que a lactose, por isso a base já sabe mais doce antes de se juntar seja o que for.

  4. 6

    Provar. Deve ser claramente ácido, com o açafrão e o cardamomo por cima, não doce. Se souber a pouco em vez de fresco, um pingo de limão faz mais do que mais açúcar. Tapar e levar ao frigorífico pelo menos 4 horas.

    Melhora de um dia para o outro, à medida que o cardamomo se infunde. Uma coalhada menos escorrida é um pouco mais suave, e é aí que o limão ganha o seu lugar.

Ameixas assadas

  1. 7

    Aquecer o forno a 200°C. Cortar as 10 ameixas à volta pela costura natural até ao caroço e torcer as metades em sentidos opostos. Não pelar. Provar uma crua e decidir o açúcar: 40 g como indicado, 25-30g se forem muito doces, 55g se forem ácidas.

    10m

    A pele mantém as metades inteiras e guarda a maior parte da cor; ameixas peladas desfazem-se em puré. As variedades de caroço agarrado não se separam: cortar gomos à volta do caroço e assá-los 15 minutos em vez de 20.

  2. 8

    Dispor as metades com o corte para cima, numa só camada, num tabuleiro de ir ao forno. Espalhar o açúcar por cima, deitar as 2 c. sopa de água no fundo e enfiar 1 tira de casca de laranja debaixo de umas ameixas, de modo a que a casca fique mergulhada no líquido. Assar 20 minutos, até estarem abatidas, enrugadas nas bordas e a borbulhar, mas ainda com forma.

    20m200°Ctabuleiro de ir ao forno

    Corte para cima para o açúcar ficar na cavidade, puxar o sumo e fazer a calda. A casca no líquido, nunca por cima: acima do nível do líquido seca e queima a 200°C, e casca de citrino queimada é amarga. Ameixas pouco maduras podem precisar de 25 minutos.

  3. 9

    Deixar arrefecer e depois retirar e deitar fora a casca de laranja. Passar as ameixas, com toda a calda, para uma caixa com tampa e levar ao frigorífico. Se a calda estiver rala e aguada, reduzi-la num tachinho 2-3 minutos até napar uma colher, voltar a deitá-la por cima e arrefecer de novo.

    5m

    Tirar a casca antes de guardar. Depois de assar já deu tudo o que tinha, e deixada de um dia para o outro torna a calda áspera. Uma calda aguada escorre do shrikhand direta para o fundo do copo.

Pralinê de pistácio

  1. 10

    Preparar tudo antes de acender o lume: papel vegetal num tabuleiro plano mesmo ao lado do fogão, os 80 g de pistácios e uma pitada de flor de sal numa taça ao pé, uma colher de pau ou espátula resistente ao calor, e uma frigideira clara de fundo grosso (inox, não antiaderente, nem ferro fundido, nem esmalte escuro). Desimpedir a bancada entre a frigideira e o tabuleiro.

    5mfrigideira clara de fundo grossotabuleiro com papel vegetal

    Tudo se conduz pela cor, e numa frigideira escura não se vê. Quando o açúcar ganha cor há uns quinze segundos para decidir, o caramelo prende em menos de um minuto, e açúcar derretido a 170°C cola à pele. Depois de começar não se vai buscar nada.

    Caramelo Seco e Pralinê de Frutos Secos
  2. 11

    Espalhar os 100 g de açúcar numa camada uniforme na frigideira seca, em lume médio. Sem água, sem óleo e sem mexer. Ao fim de dois ou três minutos derrete em líquido transparente nas bordas enquanto o centro ainda é cristal. Rodar a frigideira pelo cabo para igualar.

    3mmédio

    Mexer nesta fase arrasta cristais por dissolver para o líquido e provoca cristalização: a frigideira inteira agarra numa massa branca e grumosa. Rodar, não mexer.

    Caramelo Seco e Pralinê de Frutos Secos
  3. 12

    Quando quase tudo estiver líquido, mexer com cuidado para incorporar os cristais que restam. Ver passar de transparente a palha clara, dourado e âmbar, e tirar do lume no âmbar médio, a cor do xarope de ácer ou de uma moeda velha de cobre.

    5mmédio

    Tirar nessa cor, não depois: a frigideira leva-o mais um tom fora do lume. Demasiado claro só sabe a doce. Demasiado escuro é amargo, e caramelo amargo ao lado de açafrão é desagradável. Se cristalizar em grumos, manter ao lume e ter paciência, quase sempre voltam a derreter; nunca deitar água em açúcar derretido. Se ficar castanho-escuro e cheirar a acre, deitar fora e recomeçar.

    Caramelo Seco e Pralinê de Frutos Secos
  4. 13

    Juntar os pistácios e o sal e mexer depressa uns 10 segundos para envolver. Deitar logo sobre o papel vegetal e espalhar fino com as costas da colher, ou pôr outra folha por cima e calcar com a palma da mão.

    1m

    Endurece e agarra quando os frutos secos entram; é normal. Pistácios à temperatura ambiente dão mais tempo do que frios. Fino é melhor do que grosso: parte-se mais facilmente e dá lascas mais bonitas.

    Caramelo Seco e Pralinê de Frutos Secos
  5. 14

    Deixar 20-30 minutos, até estalar em vez de dobrar. Partir à mão e depois triturar grosseiramente: 5 segundos na velocidade 6 da Bimby (Thermomix), ou num saco com o rolo da massa. Para um frasco hermético de imediato.

    30m

    Parar com pedaços desiguais, uns finos e outros do tamanho de uma lentilha. Reduzido a areia perde a razão de ser, que é o contraste. O caramelo absorve humidade e fica pegajoso ao ar em poucas horas; fechado, aguenta uma semana.

    Caramelo Seco e Pralinê de Frutos Secos

Montar

  1. 15

    Diretamente do frigorífico, pôr o shrikhand nos copos, cerca de 80 g por copo, até dois terços, e bater o copo na bancada para nivelar. Duas metades de ameixa por cima, corte para cima, e uma colher de calda sobre cada uma, deixando-a escorrer pelas paredes do copo para dentro do branco.

    3m

    Servir frio. Este prato é o recomeço frio e ácido depois de um prato principal rico, e à temperatura ambiente perde isso. Não misturar a calda: a cor da ameixa a escorrer para a coalhada é a maior parte do efeito. Se a calda tiver ganho presa no frigorífico, mexer-lhe uma colher de chá de água.

    Dica: Os copos podem ser cheios com shrikhand uma hora antes e guardados no frigorífico; as ameixas e a calda vão no momento de servir.

  2. 16

    Espalhar o pralinê por cima à mesa, ou pôr o frasco na mesa e deixar cada um servir-se.

    Sobre shrikhand húmido o pralinê amolece em minutos, e é o único estaladiço do prato. Pralinê posto cedo é pralinê mole.

Alergénios

leitefrutos de casca rija

Dieta

vegetarianosem glúten

Conservação e Validade

refrigerado

Temperatura: 0-4°C

Validade: 3 dias

Congelar: Não recomendado

Não se aquece; todos os componentes vão para a mesa frios ou à temperatura ambiente. Manter os três separados até ao serviço.

Empratamento

Copos pequenos de vidro transparente para se verem as camadas: shrikhand branco até dois terços, duas metades de ameixa por cima com o corte para cima, calda a escorrer pelo interior do copo para dentro da coalhada. Pralinê espalhado à frente dos convidados.

Guarnição: Pralinê de pistácio, juntado à mesa

Servir em: Copos pequenos, com colheres de cabo comprido

Temperatura: Frio, diretamente do frigorífico

A História por Trás Deste Prato

“A sobremesa de um jantar indiano de quatro pratos para sete pessoas, depois do butter chicken. O shrikhand é o fecho certo para essa refeição porque é, no essencial, iogurte escorrido: frio, láctico e ácido, repõe o palato em vez de juntar mais uma camada de gordura. As ameixas trazem a doçura do fim do verão e o pralinê é o único estaladiço. Quase tudo se faz antes. O iogurte foi para o pano na sexta à noite e escorreu durante a noite, o pralinê fez-se no sábado de manhã e as ameixas assaram ao lado da sopa de abóbora. A verdadeira lição veio quando se pesou a coalhada. O plano contava com 390g de coalhada muito escorrida, 75g fixos de açúcar e leite para aligeirar; o pano deu 440g de coalhada mais mole, por isso o leite saiu e o açúcar passou para 20% do peso real. É assim que a receita fica escrita: primeiro pesar a coalhada, depois adoçar.”

Sugestão de vinho: O vinho tem de ser mais doce do que a sobremesa, o que é fácil porque o shrikhand é mesmo ácido. Uma Malvoisie flétrie do Valais já traz o registo de alperce e açafrão. Um Amigne de Vétroz de três abelhas fecha o círculo de uma refeição que começou com a versão de duas. Do outro lado da fronteira, um Pinot Gris Vendanges Tardives da Alsácia, ou um Moscato Rosa do Alto Adige para jogar diretamente com as ameixas.

Aviso Legal: As informações fornecidas nesta receita, incluindo métodos de preparação, diretrizes de armazenamento e recomendações de validade, são apenas para orientação geral. Não aceitamos qualquer responsabilidade por doenças alimentares ou efeitos adversos resultantes da preparação, manuseamento, armazenamento ou consumo de alimentos preparados com esta receita. Siga sempre práticas seguras de manuseamento de alimentos e consulte as diretrizes oficiais de segurança alimentar.

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