Grelha em Duas Zonas e Controlo do Calor Residual
Crosta em calor forte, centro em calor brando, e os últimos graus ficam para o repouso
O que é
Um fogo em duas zonas divide a grelha num lado quente de calor direto e num lado frio de calor indireto, para fazer em separado os dois trabalhos que uma selagem exige: construir a crosta em calor forte e depois subir o centro com suavidade, onde nada queima. O controlo do calor residual é a competência que a acompanha: tirar a carne abaixo da temperatura pretendida, porque o calor que ficou continua a cozinhá-la durante vários minutos depois de sair da grelha.
Num corte magro, é a técnica inteira. O lombinho quase não tem gordura que o proteja e afunila numa ponta; numa só zona quente, o centro passa do ponto antes de a crosta se formar, e a ponta fina está seca quando o meio fica pronto.
Aplica-se a bifes, costeletas, peças de frango e qualquer corte em que se queira crosta e um interior exato.
Porque é que importa
Crosta sem anel cinzento. Selar com força e cozinhar até ao centro no mesmo calor forte obriga a um compromisso: carne pálida ou interior seco. Separando as duas coisas, a crosta pode ficar escura e profundamente saborosa enquanto o interior fica exatamente no ponto escolhido.
Suculência num corte sem margem. Cada grau acima do objetivo é suco perdido num corte magro. Acabar com suavidade na zona fria dá uma janela larga e tolerante em vez de um fio de navalha.
O calor residual é um seguro. Tirando cedo, a carne acaba de cozinhar fora do lume, no seu próprio calor, e chega suculenta em vez de seca na grelha.
Como se executa
Montar as duas zonas. Carvão: empurrar as brasas para um lado. Gás: um ou dois queimadores no máximo, os outros desligados. Por cima do lado quente não se aguenta a mão mais de um ou dois segundos; o lado frio, de tampa fechada, anda pelos 150–160°C.
Selar primeiro em calor direto. Virar de 1 em 1 ou de 2 em 2 minutos até dourar todas as faces, cerca de 6–8 minutos para um lombinho. Virar muitas vezes dá um alourado uniforme e impede que superfícies com especiarias ou açúcar (pimentão, alho) queimem numa face esquecida para baixo. Se as chamas subirem, passar a carne para o lado frio até acalmarem.
Acabar na zona fria, de tampa fechada. O centro sobe devagar sem pôr a crosta em risco. É a tampa que dá o calor por convecção que faz isto funcionar.
Medir na parte grossa, cedo e muitas vezes. O lombinho afunila e a ponta fina vai uns graus à frente, por isso medir sempre no ponto mais grosso.
Tirar abaixo do objetivo. Para porco, o valor de segurança do USDA é 63°C com 3 minutos de repouso. Tirar um lombinho fino aos 60°C; num repouso de 6–8 minutos sobe cerca de 3°C até aos 63°C, seguro e mais suculento do que cozinhado até aos 63°C na grelha. Peças mais grossas sobem mais, um assado talvez 5–7°C, por isso tiram-se mais cedo.
Repousar tapado sem apertar, 6–8 minutos para um lombinho, e depois fatiar contra o fio.
Erros comuns
Uma só zona quente para tudo. O erro de base: a crosta e o interior lutam entre si e o corte magro perde.
Cozinhar até à temperatura de segurança na grelha. Passa dela durante o repouso e serve-se carne seca.
Medir na ponta fina. Dá pronto quando o meio ainda está cru, ou dá pronto porque já passou. De uma forma ou de outra, cozinhou-se mal a parte que interessa.
Virar uma vez e ir embora. Uma só volta em calor forte queima uma face larga e dispara o interior.
Saltar o repouso. O suco vai para a tábua e o calor residual não completa a subida.
Tampa aberta no acabamento indireto. Perde-se a convecção que sobe o centro por igual.
Como saber que ficou bem
A crosta está escura e seca ao toque muito antes de o centro estar perto do ponto, prova de que as zonas estão a fazer trabalhos separados.
O termómetro no meio grosso marca 60°C quando se tira um lombinho de porco e sobe até cerca de 63°C durante o repouso. Ver o número subir é ver o calor residual a trabalhar.
Na tábua, uma pequena poça de suco é normal; uma inundação quer dizer que se cortou cedo demais ou se cozinhou demais.
Fatiado, o centro está levemente rosado e uniforme de borda a borda, sem anel cinzento à volta de um núcleo cru e sem ponta seca. Esse corte uniforme é a assinatura das duas zonas bem feitas.
Utilizada Nestas Receitas
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